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21 de janeiro de 2020

As ferragens para vidros irão mudar? O que muda para o vidraceiro?

ferragens

Novo texto da norma da ABNT para esse produto está em processo de consulta pública. Mudanças favorecem consumidor final exigem maior atenção das vidraçarias.

Na última década os fabricantes de ferragens para vidros que procuravam oferecer produtos com ótimo desempenho ao ramo vidreiro tiveram de enfrentar uma concorrência desleal. Dezenas de empresas se apoiaram unicamente na redução de custos, passaram a oferecer itens de baixa qualidade e performance, protegidas principalmente pelo anonimato. A revisão da norma de Ferragens para Vidros (NBR 14651), que se encontra em sua fase final de aprovação, promete minimizar essa situação e também diversas outras.

Cenário atual

Ferragens de má qualidade foram fabricadas com materiais de baixo desempenho e espessura de paredes finas. Algumas delas chegavam até mesmo a entortar quando se fazia o aperto adequado do parafuso – outras se quebravam com esse procedimento. Para compensar, os vidraceiros davam apertos menores. Como resultado ocorreram diversas situações de escorregamento do vidro pelas ferragens, prejudicando o desempenho da instalação de temperados como um todo e, em alguns casos, até mesmo promovendo quebra de vidros e ferimentos em usuários.

O próprio mercado é seletivo e foi excluindo, aos poucos e de forma natural, alguns produtos e marcas. Entretanto, esse processo é lento e sempre surgem novos fabricantes adotando práticas questionáveis para redução de preços.

Mudança

Se aprovada a NBR 14651 com seu texto revisado atual, fabricantes não poderão fazer produtos ruins e lança-los no mercado anonimamente como fazem atualmente. Terão que imprimir suas marcas na parte externa ou interna do produto de forma que não possa ser apagada, para facilitar suas identificações.

Essa mudança tem o objetivo de permitir a rastreabilidade dos criminosos em caso de ferimentos e apuração de responsabilidades.

Nomenclatura

Outra mudança importante que está sendo incluída pelos integrantes da comissão de estudo (ABNT/CEE-188 – Ferragens) procura facilitar a comunicação entre os diversos participantes da cadeia, formada por fabricantes, especificadores, revendedores, vidraceiros, instaladores e consumidores finais. Uma nomenclatura única será adotada para essa linha de produtos.

O problema atual é que existe uma verdadeira “Torre de Babel” instaurada. Uma ferragem 1130 no padrão Santa Marina, por exemplo, pode receber diversas denominações diferentes dependendo do fabricante. Nessa mesma ferragem um detalhe pode ser chamado tanto de aparador quanto de puxador, dependendo de quem o esteja produzindo. Quem está habituado com os códigos atuais até consegue traduzir, mas quem está ingressando no ramo vidreiro ou para o usuário final fica bastante confuso fazer a correspondência do código com o produto que necessita.

Performance

Facilitada a identificação de cada peça, estas terão determinadas suas performances por norma. Cada ferragem deverá trabalhar com a furação especialmente projetada para ela e com o aperto de parafusos apropriado. O novo texto também indica o aperto necessário para que determinada ferragem fique bem posicionada, evitando o escorregamento do vidro. Existem no mercado torquímetros que podem ajudar o instalador a encontrar esse ponto ideal de aperto, mas, caso os profissionais não adotem essa ferramenta, poderão saber que a ferragem aguentará o aperto adequado para suportar o vidro por muitos anos e em diversas situações. Em caso de acidentes, ao se apurar responsabilidades, entretanto, será verificado se esse procedimento foi executado pelo instalador de forma satisfatória.

Pesos e larguras

Segundo as normas técnicas, uma porta de vidro, por exemplo, deve ter a largura máxima de 1,10 m em dobradiça comum. No caso de peças mais largas devem ser utilizadas ferragens especiais e a sustentação deve ser deslocada mais para o meio da porta. A nova norma irá contemplar esse aspecto para definir de quem serão as responsabilidades em caso de acidentes. Também serão definidas as cargas máximas que cada ferragem suporta e, caso o instalador não se atente a esses limites, poderão ser responsabilizados. Modificações feitas pelos vidraceiros nas ferragens para que estas se adaptarem à instalação também serão itens observados.

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